8ª Bienal do Mercosul: Ensaios de geopoética
José Roca, curador geral
A 8ª Bienal do Mercosul está inspirada nas tensões entre
territórios locais e transnacionais, entre construções políticas e
circunstâncias geográficas, nas rotas de circulação e intercâmbio
de capital simbólico. O título refere diversas formas que os
artistas propõem para definir o território, a partir das
perspectivas geográfica, política e cultural.
As bienais são eventos primordialmente expositivos, que
ativam a cena artística de uma cidade durante períodos
relativamente curtos. Contudo, além de serem recorrentes, são
descontínuas - e esse é seu lado fraco: nos períodos entre uma
bienal e outra usualmente não acontece nada, ou bem pouco, em
termos de ativação da cena artística. A 8ª Bienal do Mercosul tenta
responder à seguinte pergunta: é possível fazer uma bienal cuja
ênfase não seja exclusivamente expositiva?
Nossa proposta inclui estender a ação da Bienal no espaço
e no tempo. E propõe entender o tema escolhido não apenas como um
marco conceitual para ler a produção artística contemporânea, mas,
sim, como uma estratégia de ação curatorial, sugerindo a Bienal
como uma instância de criação e consolidação de infraestrutura
local.
A 8ª Bienal enfatiza o componente educativo - diferencial
da Bienal do Mercosul em relação a outras bienais - ao envolver o
curador pedagógico na própria concepção do projeto curatorial.
Traz, assim, os componentes da curadoria como oportunidades para
articular o projeto pedagógico e, desse modo, transcender a tríade
convencional interpretação-mediação-serviço, que caracteriza as
ações educativas em bienais e museus.
A mostra Geopoéticas vai examinar a criação de entidades
transterritoriais e supraestatais, as construções
político-econômicas que contrastam com as noções estabelecidas de
Nação e explorará diferentes aspectos das ideias de Estado e Nação,
seus símbolos (mapas, bandeiras, brasões, hinos, passaportes,
exércitos) e suas estratégias de autoafirmação e consolidação de
identidade. A 8ª Bienal do Mercosul estende-se no espaço, olhando o
território do Rio Grande do Sul como um âmbito a explorar: vários
artistas realizaram viagens no estado como parte dos componentes
Cadernos de Viagem e Além Fronteiras. A cidade de Porto Alegre
também é vista como um território a ser redescoberto: nove locais
da cidade estão sendo ativados por meio de obras não visuais no
componente Cidade Não Vista. Seis espaços alternativos da América
Latina terão sedes temporárias no Brasil durante a Bienal, sendo
recebidos por espaços similares em Porto Alegre, Caxias do Sul e
Santa Maria, em um programa que denominamos Continentes.
Finalmente, será apresentada uma extensa mostra do artista chileno
Eugenio Dittborn, que enviou suas Pinturas Aeropostais pelo
correio, desde Santiago; partes dessa mostra serão apresentadas em
três espaços culturais do Rio Grande do Sul.
Os componentes anteriores estendem a ação da Bienal no
território. Com o fim de estender a ação da Bienal no tempo, foi
criada a Casa M, um espaço de encontro para artistas e público
geral, com um intenso programa de atividades de música, teatro,
arte e literatura, residências curatoriais e ciclos de cinema. A
Casa M conta com um espaço de convivência e uma sala de leitura, na
qual podem ser consultados livros e revistas, além dos documentos
reunidos pelo Núcleo de Documentação e Pesquisa da Bienal. A
intenção é ativar a cena local, de modo que, por conseguinte, a
ênfase não é expositiva: as participações de artistas estarão
concentradas no programa mensal Vitrine; nesse sentido, três
artistas realizaram intervenções permanentes no acesso à casa, na
biblioteca e no jardim.
http://www.bienalmercosul.art.br/sobre
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